Heloisa Galves

Portifólio

Guerrilheira da Areia

 

A areia, primeira escola.

Entre baldes, primos

Pais e pás

Sempre besuntada com creme rosa

Que me fazia parecer uma índia

Uma indiana

Guerrilheira da areia

 

Ali dei meus primeiros passos

Como um ser independente

Vagava sozinha, olhando o mar

As vagas e carrinhos de sorvete

Só voltava quando alguém me achava

E me colocava debaixo do guarda sol amarelo

O cárcere adequado

A uma eterna fugitiva

 

Assim dentro da sombra torta

Fazia desenhos na areia

E mostrava

“Lindo” diziam sem ver...

Meus castelos, meus monstros

E cidades encantadas

E assim sem platéia alguma

Atuava sozinha

O que percebi ser melhor

 

Inventava as histórias

E a mente escrevia as palavras

Que eu não conhecia ainda

Na hora de ir embora

Destruía tudo feliz

Meus contextos eram isentos

Despossuidos de mim

 

Havia o dia seguinte

E com ele outras areias

Passos a diferentes rumos

Cárcere de todas manhãs

Novos desenhos e histórias

E longos mergulhos no mar

Nos braços do meu pai

 

Heloisa Galves